Posts Tagged ‘morte

02
mar
10

No momento

Não ensaio faz dias, como estou em turnê com o grupo cena 11 meus ensaios tem se limitado a pensar sobre o trabalho e melhorar a leitura do texto que faço em cena. Por mais absurdo que pareça, isso é ótimo, exceto para uma das ações que faço, porque as outras necessitam da minha total falta de controle. Explico, todas as minhas ações perambulam numa tentativa de deixar que o corpo reaja na relação explícita do objeto com o meu corpo, seja as ratoeiras, o choque, as bombinhas. Ensaiar essas cenas faz com que eu sinta menos, que eu me acostume a dor, que eu perca a naturalidade do susto e até o medo. Fingir a reação é uma das coisas que não deve acontecer no trabalho e isso ficou claro durante os ensaios com público que realizei.

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24
fev
10

Como compartilhar um processo?

Em razão dos últimos acontecimentos faço este post pensando em como é difícil compartilhar um processo de pesquisa artística. Pois não tenho vontade de falar sobre tudo que penso e faço durante a pesquisa, não se trata de egoísmo, ou de egocentrismo e sim a sensação de estar dando a receita antes de que vc leitor possa provar o bolo. rsrsrs Talvez seja mais interessante ver o trabalho e ai visitar este blog, pelo menos para mim quando me interesso por um filme, espetáculo ou artista é geralmente o que acontece, eu vejo e depois busco mais informação.
Tenho horror a idéia de que possam entender meu trabalho enquanto uma mensagem sobre a morte, coisas do tipo aceitem a morte, não busquem a eternidade. Isso reduz a potencialidade de qualquer trabalho. Sinta o que você sente e não tente decifrar.

17
fev
10

Primeiro ensaio com público

Foto: Adilso Machado

Feito o primeiro ensaio com um pequeno público, surgem novos questionamentos sobre o trabalho. Coisas simples como a melhor visualização das cenas, a relação entre as sensações geradas pelo meu corpo e as respostas de quem vê. Será que a dor é real? Será que realmente está acontecendo algo? As expressões são interpretadas ou simplesmente acontecem?
Momento interessante, que me leva a uma nova análise, a minha pergunta é: Mesmo em uma situação que se coloca claramente de risco, por que a necessidade de visualizar o sofrimento no corpo?
Na verdade, talvez, a velha questão da espetacularidade.

23
dez
09

Visita ao cemitério

Estou em Dona Emma, minha cidade natal, aqui é um daqueles lugares que todas as pessoas se conhecem, onde as pessoas na sua maioria não viajam a mais de 50km de distância durante toda a sua vida. Estive no cemitério hoje e constatei que muitos rosto com os quais convivi na minha infância e juventude, estão lá, estampados em lápides. Começo a me sentir morrrendo.

30
ago
09

O que antecede a morte

A concepção deste projeto é através de um exercício solo pesquisar possíveis metáforas que se aproximem dos estados corporais (sensório-motores) no momento que antecede a morte, ou a iminência de morte. A proposta é estudar através de teorias, exercícios e ações que serão criados para este trabalho, o corpo do enfermo, o corpo do suicida e ações de arco reflexo, ou seja, neste caso as ações que o corpo toma para evitar a morte. A questão não gira em torno da representação destes corpos, mas de elementos e condições presente neles, aspectos que podem ser postos a prova através de ações concretas, como por exemplo, a agonia. Criar condições para que o corpo entre nestes estados, possibilitando reações que não sejam condicionadas ou pré-determinadas. Como estes estados podem ser experimentados em um trabalho artístico onde o corpo é o suporte e o objetivo da ação?

Como resolver questões que envolvem risco e comportamento, o que leva o corpo a optar por esta ou aquela ação?

Quando pensamos na morte, essa experiência é sempre sobre o outro ser que morre isso enquanto referência, sendo assim uma experiência consciente, mas fantasiosa, já que não se vivencia a morte e ninguém se morre.

Há uma questão de fatalismo e de imprevisibilidade na morte que tentamos ludibriar através de metáforas. O fato segundo Bert Keizer é que “normalmente, as pessoas morrem sem saber. Pensando bem, será que dá para morrer consciente? Para colocar a coisa de maneira constrangedora: somos mortos da mesma maneira que somos nascidos. Ninguém se nasce em cima deste planeta, assim como ninguém se morre para fora dele. Então morrer é difícil de definir. A idéia mais satisfatória é que ocorre uma luta perto do fim, e depois dela você recebe permissão para passar.”

A consciência de que vamos morrer nos aproxima da morte e de suas metáforas, a idéia de estar de fora do mundo nos confunde e causa reações em nosso corpo, nosso vínculo direto com o ambiente. Portanto a morte em nossa mente é sempre uma metáfora gerada pela relação entre o meio, o corpo, o cérebro e a mente.

 

 




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