Arquivo de fevereiro \24\UTC 2010

24
fev
10

Como compartilhar um processo?

Em razão dos últimos acontecimentos faço este post pensando em como é difícil compartilhar um processo de pesquisa artística. Pois não tenho vontade de falar sobre tudo que penso e faço durante a pesquisa, não se trata de egoísmo, ou de egocentrismo e sim a sensação de estar dando a receita antes de que vc leitor possa provar o bolo. rsrsrs Talvez seja mais interessante ver o trabalho e ai visitar este blog, pelo menos para mim quando me interesso por um filme, espetáculo ou artista é geralmente o que acontece, eu vejo e depois busco mais informação.
Tenho horror a idéia de que possam entender meu trabalho enquanto uma mensagem sobre a morte, coisas do tipo aceitem a morte, não busquem a eternidade. Isso reduz a potencialidade de qualquer trabalho. Sinta o que você sente e não tente decifrar.

22
fev
10

Novas considerações

Foto: Cristiano Prim

Depois do primeiro ensaio aberto, começo a receber as opiniões sobre o trabalho. No que tange meu interesse, achei importante o estado de tensão que a platéia permanece.
Tenho me interessado muito nas últimas semanas pela relação das sensações que as ações me permitem e no como elas são processadas e sentidas pelo observadores. Apesar da tensão que parece ser o ponto de convergência da platéia, o “julgamento” sobre a ações tem se mostrado bastante diverso, com opiniões que vão do autoflagelo ao masoquismo.
Interessante também poder pensar que a dor de quem vê, talvez seja maior do que minha própria dor. Em uma da ações que não descrevi no post anterior, mas que foi gerado por ela, aplico em meu corpo a descarga de uma dessas máquinas de choque utilizada para auto-defesa. No primeiro ensaio que fiz com alguns colegas presentes, a opinião foi de que ela era a que tinha menos força de todas as apresentadas. Já neste ensaio com um público maior e com algumas modificações, como por exemplo, utilizar o aparelho em áreas mais sensíveis e sobre os orgãos, ela subiu para o posto de cena mais tensa da demonstração.

17
fev
10

Primeiro ensaio com público

Foto: Adilso Machado

Feito o primeiro ensaio com um pequeno público, surgem novos questionamentos sobre o trabalho. Coisas simples como a melhor visualização das cenas, a relação entre as sensações geradas pelo meu corpo e as respostas de quem vê. Será que a dor é real? Será que realmente está acontecendo algo? As expressões são interpretadas ou simplesmente acontecem?
Momento interessante, que me leva a uma nova análise, a minha pergunta é: Mesmo em uma situação que se coloca claramente de risco, por que a necessidade de visualizar o sofrimento no corpo?
Na verdade, talvez, a velha questão da espetacularidade.




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